
publicado em 19 de outubro de 2026
por Bry Marketing
Imagine poder comprovar que você tem mais de 18 anos sem precisar informar sua data de nascimento, seu CPF ou apresentar uma cópia do documento de identidade.
Esse é um dos exemplos mais claros do potencial das credenciais verificáveis, uma tecnologia que promete transformar a maneira como pessoas, empresas e instituições comprovam informações no ambiente digital.
O conceito ganha relevância à medida que o Brasil avança na digitalização dos serviços públicos, na proteção de dados pessoais e na construção de infraestruturas digitais de confiança.
Com a evolução da carteira digital, os debates sobre interoperabilidade e as novas exigências de verificação de idade estabelecidas pelo ECA Digital, cresce a necessidade de mecanismos capazes de comprovar atributos com segurança, sem compartilhar informações desnecessárias.
Mas como essas credenciais funcionam? Qual é a diferença em relação aos documentos digitais tradicionais? E por que organizações públicas e privadas deveriam acompanhar essa evolução?

Credenciais verificáveis são informações digitais emitidas por uma entidade identificável e protegidas por mecanismos criptográficos que permitem verificar sua autenticidade e integridade.
Na prática, elas possibilitam que uma pessoa ou organização comprove determinada informação sem necessariamente apresentar um documento completo.
Pense em situações comuns do cotidiano:
Em processos tradicionais, essas comprovações frequentemente exigem o envio de documentos contendo informações que não são relevantes para a finalidade da consulta.
As credenciais verificáveis oferecem uma alternativa: apresentar uma informação estruturada, cuja origem e integridade possam ser verificadas digitalmente.
O modelo é definido pelo World Wide Web Consortium (W3C), organização responsável por padrões fundamentais da internet, por meio da especificação Verifiable Credentials Data Model 2.0.
Um aspecto importante é que a tecnologia não garante, isoladamente, que uma declaração seja verdadeira. Também é necessário avaliar a confiabilidade do emissor, o status da credencial e as regras aplicáveis à verificação.
O funcionamento das credenciais verificáveis envolve três papéis principais: emissor, titular e verificador.
O emissor é a entidade responsável por gerar a credencial e declarar determinado atributo.
Uma universidade, por exemplo, pode emitir uma credencial que comprove a conclusão de um curso. Uma entidade profissional pode confirmar uma habilitação, enquanto uma instituição autorizada pode atestar informações de identidade.
O emissor utiliza mecanismos criptográficos que permitem verificar a origem da declaração e identificar alterações indevidas.
O titular é quem mantém a credencial e a utiliza para comprovar uma informação.
Dependendo da arquitetura adotada, essas credenciais podem ser armazenadas em uma carteira digital, também conhecida como digital wallet.
Essa carteira permite gerenciar credenciais e apresentá-las quando necessário, respeitando as capacidades técnicas e as políticas de compartilhamento da solução.
O verificador é a organização ou sistema que recebe a comprovação e precisa determinar se ela pode ser aceita.
Uma plataforma digital, por exemplo, pode verificar se uma pessoa possui determinada habilitação ou atende a um requisito etário.
Para isso, o sistema verifica elementos como autenticidade criptográfica, integridade, status da credencial e confiança no emissor.
Assim, a informação pode circular entre sistemas diferentes sem depender, em todos os casos, da apresentação e análise manual de documentos completos.
Uma das funcionalidades mais relevantes nesse contexto é a revelação seletiva.
Ela permite compartilhar apenas determinados atributos de uma credencial, reduzindo a exposição de informações pessoais.
Considere uma plataforma que precisa confirmar se o usuário possui mais de 18 anos.
No modelo tradicional, a plataforma poderia solicitar uma fotografia do documento de identidade, recebendo nome completo, data de nascimento, número do documento e outros dados.
Com uma solução de credenciais verificáveis que ofereça os mecanismos criptográficos adequados, a experiência pode ser diferente.
A plataforma solicita a comprovação de maioridade. O titular autoriza a apresentação e o verificador recebe a evidência necessária para confirmar que o requisito foi atendido.
É possível, inclusive, utilizar técnicas criptográficas, como provas de conhecimento zero, para demonstrar o atendimento de um requisito sem revelar o valor original utilizado na comprovação.
Isso significa que, em determinadas arquiteturas, pode ser possível comprovar a maioridade sem compartilhar a data exata de nascimento.
É importante observar que nem toda credencial verificável oferece revelação seletiva ou provas de conhecimento zero. Essas funcionalidades dependem dos padrões e das tecnologias implementados.
A Lei nº 15.211/2025, conhecida como Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, estabelece medidas de proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais.
Sua regulamentação, por meio do Decreto nº 12.880/2026, introduz diretrizes importantes para os mecanismos de aferição de idade.
Entre elas estão a minimização de dados pessoais, a proteção da privacidade, a proporcionalidade das soluções e a interoperabilidade entre sistemas.
O decreto também estabelece restrições ao compartilhamento de informações desnecessárias nos sinais de idade transmitidos por lojas de aplicativos e sistemas operacionais.
Nesse cenário, as credenciais verificáveis com recursos de revelação seletiva representam uma possibilidade tecnológica para implementar jornadas de verificação de idade mais eficientes e alinhadas à privacidade.
Entretanto, o ECA Digital não exige que todas as plataformas utilizem credenciais verificáveis. A adequação depende dos requisitos regulatórios, dos riscos envolvidos e da arquitetura adotada.
O Brasil já possui uma base relevante de infraestrutura digital, certificação eletrônica e serviços públicos digitalizados.
O avanço das credenciais verificáveis se conecta a essa trajetória, especialmente diante da necessidade de tornar a troca de informações mais segura, interoperável e menos dependente de documentos completos.
Em junho de 2026, o 2º Workshop de Credenciais Verificáveis, realizado em Brasília, reuniu representantes e especialistas para discutir o papel dessas tecnologias na transformação digital brasileira.
Entre os temas abordados estavam os modelos de confiança, a verificação de atributos, a interoperabilidade e a evolução da carteira digital Gov.br.
O movimento sinaliza uma mudança importante: além de digitalizar documentos, o país passa a discutir como permitir que informações confiáveis sejam comprovadas e reutilizadas em diferentes jornadas digitais, preservando a privacidade dos titulares.
O país apresenta avanços concretos em documentos digitais, assinaturas eletrônicas e mecanismos de verificação.
Diploma digital
O diploma digital é um exemplo de documento nato-digital com requisitos de emissão, assinatura, validação e preservação estabelecidos pelo Ministério da Educação.
Sua infraestrutura utiliza certificação digital ICP-Brasil e carimbo do tempo, demonstrando a maturidade de mecanismos de confiança aplicados a documentos acadêmicos.
Documentos de veículos
A digitalização de documentos veiculares, como o CRLV-e, mostra a evolução do acesso a informações oficiais em dispositivos eletrônicos, com mecanismos próprios de autenticidade e consulta.
Passaporte e documentos de viagem
Os mecanismos de autenticação criptográfica utilizados em documentos de viagem eletrônicos também exemplificam o uso de tecnologias de confiança para validar informações emitidas por autoridades competentes.
Essas experiências são referências importantes, mas exigem uma distinção: documentos digitais assinados e documentos eletrônicos verificáveis não são automaticamente credenciais verificáveis no padrão W3C.
Eles demonstram a existência de infraestruturas e competências técnicas que podem apoiar a evolução desse ecossistema.
Outras aplicações permanecem em diferentes estágios de discussão, experimentação e implementação.
Entre as possibilidades estão:
O avanço dessas iniciativas depende de modelos de governança, acordos entre participantes e interoperabilidade técnica.
Por isso, é importante diferenciar casos de uso em estudo de soluções já disponibilizadas em escala.
Não necessariamente. As duas tecnologias podem atender a necessidades diferentes e se complementar dentro de uma mesma jornada.
Uma credencial verificável é especialmente útil quando o objetivo é comprovar rapidamente um atributo, como uma formação, autorização ou condição específica.
Já um documento assinado digitalmente é indicado quando a operação exige formalização, comprovação de autoria, integridade e preservação de uma evidência documental.
Imagine o processo de contratação de um profissional especializado.
Na etapa inicial, uma credencial verificável pode comprovar sua formação ou habilitação.
Posteriormente, o contrato pode ser formalizado por meio de uma assinatura digital, com certificado ICP-Brasil e carimbo do tempo, quando aplicáveis aos requisitos do processo.
A credencial torna a apresentação de atributos mais simples. O documento assinado registra o conteúdo formalizado, enquanto o carimbo do tempo contribui com uma referência temporal confiável.
A preservação dessa evidência ao longo dos anos também exige cuidados com o armazenamento, os formatos de assinatura e os mecanismos de validação de longo prazo.
Portanto, não se trata de escolher uma tecnologia em detrimento da outra, mas de compreender qual mecanismo de confiança atende melhor a cada etapa da operação.
A adoção de credenciais verificáveis exige mais do que selecionar uma tecnologia ou disponibilizar uma carteira digital.
Para que uma informação possa ser aceita com segurança entre diferentes instituições, é necessário estabelecer regras claras sobre emissão, apresentação, verificação e responsabilidade.
Três aspectos merecem atenção especial.
Uma credencial só gera valor quando o verificador consegue reconhecer a autoridade e a legitimidade de quem a emitiu.
É necessário definir critérios de credenciamento de emissores, atualização de informações, revogação de credenciais e políticas de aceitação.
Também devem ser consideradas responsabilidades por informações incorretas ou desatualizadas.
O potencial das credenciais verificáveis aumenta quando elas podem circular entre aplicações e organizações distintas.
Para isso, é fundamental avaliar padrões reconhecidos, formatos de dados, protocolos de apresentação e compatibilidade com infraestruturas já utilizadas.
Soluções excessivamente fechadas podem limitar a reutilização das credenciais e criar dependência tecnológica.
A segurança do ecossistema depende de mecanismos que permitam validar quem emitiu uma informação e se ela foi alterada.
Nesse contexto, tecnologias como certificação digital, assinaturas criptográficas, validação de identidade e serviços confiáveis de registro temporal podem compor diferentes camadas de proteção.
A ICP-Brasil já representa uma infraestrutura consolidada de confiança digital no país, que pode contribuir para arquiteturas compatíveis com seus mecanismos e requisitos.
A aplicação efetiva dessas tecnologias às credenciais verificáveis depende dos padrões e das regras de confiança estabelecidos em cada ecossistema.
A evolução das credenciais verificáveis reforça a importância de elementos que a Bry já desenvolve para o mercado brasileiro: identificação segura, autenticidade, integridade e formalização digital.
Com mais de 25 anos de atuação em tecnologia de confiança digital, a Bry oferece soluções que podem apoiar diferentes etapas dessas jornadas.
Entre elas estão:
Essas capacidades são relevantes para organizações que precisam integrar diferentes mecanismos de confiança em processos eletrônicos.
Para entender melhor essa infraestrutura, conheça as soluções de carimbo do tempo da Bry e os recursos de verificação de assinaturas digitais.
Sua organização está avaliando novas formas de verificar atributos, identificar usuários ou formalizar processos digitais?
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É uma declaração digital protegida por mecanismos criptográficos que permitem verificar sua origem e integridade. Pode representar informações como formação acadêmica, habilitação profissional e atributos de identidade.
A credencial contém a informação que pode ser comprovada. A carteira digital é uma aplicação que pode armazenar, gerenciar e apresentar essas credenciais.
É a possibilidade de apresentar apenas determinadas informações de uma credencial. Dependendo da tecnologia utilizada, também é possível comprovar requisitos sem revelar os valores originais.
Sim. Sistemas compatíveis podem comprovar requisitos etários, como a maioridade, sem necessariamente expor a data de nascimento ou o documento completo.
Não. A legislação estabelece requisitos para proteção de crianças e adolescentes e mecanismos de aferição de idade, mas não determina o uso obrigatório de credenciais verificáveis em todas as plataformas.
Não. O padrão de credenciais verificáveis não exige blockchain. A infraestrutura de confiança pode utilizar diferentes mecanismos técnicos para identificar emissores e verificar informações.
Não obrigatoriamente. Credenciais verificáveis são voltadas à comprovação de atributos, enquanto assinaturas digitais podem ser necessárias para formalizar documentos e atender a requisitos jurídicos específicos.
O primeiro passo é identificar quais atributos precisam ser comprovados, quais entidades podem emiti-los e quais requisitos de segurança, interoperabilidade, privacidade e governança devem ser atendidos.









