
publicado em 10 de fevereiro de 2026
por Barbara Medeiros
Todo ano, o Safer Internet Day provoca uma reflexão global sobre segurança no ambiente digital. Em 2026, essa conversa não pode ignorar um ponto central: inteligência artificial já participa de decisões que impactam pessoas, negócios e direitos. Não estamos mais discutindo se a IA é boa ou ruim, estamos no momento da próxima onda, onde se faz necessário o debate sobre: responsabilidade.
O dia 10 de fevereiro marca oficialmente uma mobilização global que promove o uso seguro, ético e responsável da internet. A data inaugura uma agenda de debates, encontros e iniciativas que acontecem ao longo dos dias seguintes, no Brasil e no mundo.
Porque quando sistemas automatizados passam a recomendar, classificar, aprovar, negar ou priorizar decisões, surge uma pergunta inevitável: Quem responde por isso?
Muitas empresas ainda tratam a inteligência artificial como apoio operacional. Mas, na prática, a IA já:
Mesmo quando a palavra final é humana (e deve realmente ser), a recomendação automatizada influencia o resultado. E quando uma decisão gera impacto jurídico, financeiro ou reputacional, não basta dizer “foi o sistema”, é preciso provar como essa decisão aconteceu.
Empresas que utilizam IA assumem uma nova camada de responsabilidade: não apenas a decisão em si, mas a capacidade de demonstrar como ela foi tomada.
Isso significa conseguir responder perguntas como:
Quando uma decisão automatizada é questionada, a discussão não gira apenas em torno do resultado. Ela gira em torno da prova.
Se uma recomendação gerada por IA impacta um contrato, um acesso, uma transação ou um direito, a empresa precisa:
Sem isso, qualquer contestação pode gerar insegurança jurídica.
O problema não está na IA, está na ausência de governança sobre ela.

Decisões automatizadas raramente acontecem isoladas.
Elas estão conectadas a usuários, operadores, gestores e sistemas.
A governança responsável exige que seja possível identificar:
A identidade digital não é detalhe técnico. É pilar de responsabilização.
Sem vinculação clara entre ação e identidade, a cadeia de responsabilidade se fragiliza.
IA depende de dados.
E dados podem ser alterados, manipulados ou comprometidos.
Se a integridade das informações não estiver protegida, a decisão automatizada também não estará.
Garantir integridade significa:
A transformação digital trouxe eficiência.
A inteligência artificial trouxe escala.
Agora, a maturidade digital exige preservação de evidências.
Quando decisões são mediadas por sistemas inteligentes, é necessário:
O Safer Internet Day convida empresas a refletirem sobre segurança online.
No cenário atual, segurança também significa:
Organizações maduras não discutem apenas inovação.
Elas discutem responsabilidade sobre aquilo que automatizam.
Adotar IA é um passo natural da evolução digital.
Mas garantir identidade, integridade e preservação de evidências é o que sustenta essa evolução no longo prazo.
O futuro da internet não depende apenas de sistemas mais inteligentes. Depende de estruturas capazes de provar, rastrear e governar essas decisões.
Inovar é essencial. Provar é indispensável.









