Mulheres na tecnologia: o que os dados escondem e o que o mercado ainda precisa encarar
publicado em 11 de março de 2026
por Barbara Medeiros
Nos últimos anos, falar sobre mulheres na tecnologia deixou de ser apenas uma pauta de diversidade para se tornar também uma discussão estratégica sobre inovação, talento e futuro do setor.
Dados mostram que a presença feminina na área de tecnologia vem crescendo gradualmente. Mais mulheres estão ingressando em cursos relacionados à área e ocupando posições em empresas de tecnologia. No entanto, quando observamos os números com mais atenção, surge um cenário mais complexo.
Apesar dos avanços, a participação feminina ainda enfrenta barreiras estruturais que impactam desde o acesso à carreira até a chegada a cargos de liderança. E entender esse cenário é essencial para qualquer empresa que queira construir um ecossistema tecnológico mais inovador e sustentável.
“Ambientes de alta performance não perguntam quem você é antes de avaliar o que você entrega.”
Angela Capellari - Diretora Geral da Bry
A presença feminina na tecnologia está crescendo, mas ainda é limitada
No Brasil, a participação de mulheres na área de tecnologia ainda está distante da paridade.
De acordo com dados da Brasscom, mulheres representam cerca de 20% dos profissionais de tecnologia da informação no país. Esse número tem apresentado crescimento nos últimos anos, impulsionado por iniciativas educacionais, programas de inclusão e maior incentivo à entrada de mulheres na área.
Mesmo assim, a desigualdade ainda aparece de forma clara quando analisamos a distribuição de profissionais dentro do setor.
Em muitos casos, o desafio não está apenas em atrair mais mulheres para a tecnologia, mas também em garantir permanência, crescimento e oportunidades de liderança ao longo da carreira.
Onde as mulheres estão dentro da tecnologia
Quando analisamos os diferentes segmentos do setor tecnológico, é possível perceber que a presença feminina não está distribuída de forma uniforme.
Mulheres têm maior participação em áreas como:
experiência do usuário (UX)
design de produto
gestão de projetos
comunicação e marketing tecnológico
áreas relacionadas a produto e estratégia
Por outro lado, a presença feminina ainda é significativamente menor em funções altamente técnicas, como:
engenharia de software
infraestrutura e arquitetura de sistemas
segurança da informação
engenharia de dados
Esse cenário não significa falta de capacidade ou interesse, mas revela fatores históricos e estruturais que influenciam a forma como as carreiras tecnológicas se desenvolvem.
O funil invisível da carreira tech
Outro ponto importante aparece quando analisamos a progressão de carreira dentro das empresas de tecnologia.
Mesmo quando há presença feminina nas equipes, a representatividade costuma diminuir à medida que os cargos se tornam mais estratégicos ou executivos. Esse fenômeno é conhecido como “pipeline problem”, ou funil de carreira.
Em outras palavras: mais mulheres entram no setor do que chegam aos cargos de liderança.
Diversos fatores contribuem para esse cenário, incluindo:
menor acesso a redes de mentoria
falta de referências femininas em cargos técnicos ou executivos
ambientes de trabalho historicamente dominados por homens
desafios de equilíbrio entre carreira e responsabilidades pessoais
Esse conjunto de fatores cria barreiras que muitas vezes não aparecem diretamente nos dados, mas impactam a trajetória profissional ao longo do tempo.
O que os números não mostram: barreiras estruturais no setor
Quando falamos em diversidade na tecnologia, os números ajudam a ilustrar o problema, mas não contam toda a história.
Além da participação reduzida, muitas mulheres relatam desafios relacionados a:
falta de representatividade em equipes técnicas
dificuldade de acesso a oportunidades de crescimento
menor visibilidade em projetos estratégicos
desigualdade salarial em determinadas funções
Essas barreiras nem sempre são explícitas, mas acabam influenciando a permanência e o avanço na carreira tecnológica.
Ao mesmo tempo, o próprio setor vem passando por transformações importantes. Cada vez mais empresas estão investindo em programas de formação, iniciativas de inclusão e políticas voltadas à construção de ambientes profissionais mais diversos.
Diversidade também é estratégia de inovação
A discussão sobre diversidade na tecnologia não está apenas ligada à inclusão social. Ela também tem impacto direto na forma como produtos e soluções digitais são desenvolvidos.
Estudos globais indicam que equipes diversas tendem a tomar decisões mais robustas, desenvolver produtos mais inclusivos e gerar mais inovação.
“Construir soluções digitais complexas exige diversidade de perspectivas.”
Angela Capellari - Diretora Geral da Bry
Quando diferentes perspectivas participam da construção de uma solução tecnológica, aumenta a capacidade de compreender necessidades reais de usuários, identificar riscos e criar produtos mais completos.
Em um setor onde a inovação é constante, ampliar a diversidade de talentos se torna também uma vantagem competitiva.
O papel das empresas de tecnologia nessa transformação
Empresas de tecnologia ocupam uma posição importante nesse processo de mudança.
Mais do que discutir o tema, organizações do setor têm a oportunidade de contribuir diretamente para a construção de um ecossistema mais diverso por meio de iniciativas como:
programas de capacitação tecnológica
incentivo à formação de novas profissionais
políticas de diversidade e inclusão
promoção de lideranças femininas
ambientes de trabalho mais inclusivos
Essas ações ajudam a ampliar o acesso à carreira tecnológica e a fortalecer o setor como um todo.
“As melhores mentes não têm gênero, origem ou cor predefinidos.”
Angela Capellari - Diretora Geral da Bry
O futuro da tecnologia precisa ser mais diverso
A tecnologia tem papel central na transformação da sociedade. E para que essa transformação seja realmente representativa, o setor precisa refletir a diversidade das pessoas que utilizam as soluções criadas.
Ampliar a participação feminina na tecnologia não é apenas uma questão de equidade. É também uma oportunidade de fortalecer a inovação, expandir perspectivas e construir produtos mais conectados com a realidade das pessoas.O avanço já começou, mas ainda há um caminho importante a percorrer. E quanto mais o setor reconhecer esse desafio, maiores serão as chances de construir um ecossistema tecnológico mais diverso, criativo e inovador.